Suicídio Assistido=Suicídio por Compaixão=Eutanásia

Posted on Maio 23rd, 2011 in Suicídio Assistido |

Mais de 100 britânicos com doenças incuráveis e em fase terminal recorreram a uma clínica na Suíça para morrer.

De acordo com as novas orientações divulgadas pelo Ministério Público, se o doente decidir acabar com a vida de forma “clara e informada”, a pessoa que o ajudar NÃO é levada a tribunal. O suicídio assistido no Reino Unido não será alvo de processo judicial se for provado que foi feito “por compaixão”.

Debbie Purdy levou o caso à última instância judicial britânica para saber se o companheiro seria acusado de homicídio se a ajudasse a morrer. As novas orientações divulgadas pelo Ministério Público, são a consequência da luta pela clarificação da lei, pela qual, esta mulher britânica, com esclerose múltipla, tem lutado. Debbie afirma que decidir sobre a morte é um passo brilhante.

O suicídio assistido continua sendo proibido por lei e passível de pena de prisão em crianças e jovens até 14 anos. Muitas vozes manifestaram-se contra a exceção do suicídio “por compaixão”, alegando que pode pôr em risco pessoas vulneráveis. Margie Woodward tem paralisia cerebral, e é contra esta idéia, ela  trabalha com pessoas com deficiências e afirma: “A preocupação principal é que as pessoas deficientes possam ser convencidas de que não vale a pena viver”, resume.  A pressão pelo suicídio assistido ou eutanásia, é feita por grandes empresas de telecomunicações, que apresentam programas onde filmam a morte e o morrer de pacientes terminais. Esta idéia é disseminada por alguns programas de TV e pode repercutir de forma desastrosa sobre pacientes vulneráveis que estejam com doenças em estágio avançado, levando-os a por fim em suas vidas de forma prematura.Foi exibida no inicio de maio de 2011, num canal público da televisão britânica, a BBC One, a segunda parte do documentário “Inside The Human Body” (Por dentro do corpo humano), chamada de “First to Last” (Do primeiro ao último). O objetivo deste programa é mostrar os “inumeráveis pequenos milagres” realizados pelo corpo humano para nos manter vivos, do nascimento até a morte. O telespectador assiste desde um “dramático” parto na água até os últimos momentos de Gerald, um homem de 84 anos de idade, morto em decorrência de um tumor no último 1º de janeiro. “Há quem considere errado mostrar a morte humana pela televisão, prescindindo das circunstâncias”, disse o apresentador da série, Michael Mosley. “Eu respeito esse ponto de vista, mas acho que há motivos para filmar uma pacífica morte natural. Essa visão é compartilhada por muitas pessoas que trabalham em contato direto com moribundos”. A série foi defendida também por um porta-voz da BBC. “A morte é uma parte importante da experiência humana. Mostrar a morte de Gerald é fundamental para entender o que acontece com o corpo humano quando ele não é mais capaz de funcionar adequadamente”, explicou, acrescentando que “a BBC não evita os temas difíceis como este, mas trata deles de uma forma sensível e adequada”. Contrário à iniciativa, mostrou-se o diretor do movimento para a Campanha Anti Eutanásia Care Not Killing, Peter Saunders. “Deveríamos receber com satisfação um documentário da BBC sobre a morte natural, mas consideramos que o momento da morte é muito privado e pessoal, e pode ser contado com sensibilidade sem ser mostrado na televisão”. 

Ainda mais polêmico é outro documentário da BBC, previsto para estrear neste verão, que mostrará os últimos momentos da vida de um homem de 71 anos, que viajou à Suíça para se submeter a um suicídio assistido na associação Dignitas. Chamado apenas de Peter, o homem sofria de uma grave doença degenerativa, a Esclerose Lateral Amiotrófica ou SLA. O objetivo do documentário, segundo o porta-voz da BBC, é “suscitar um debate construtivo” sobre o suicídio assistido. O que preocupa particularmente os opositores do chamado “direito de morrer” é que este programa, chamado “Choosing to Die” (A escolha de morrer), é apresentado pelo escritor Sir Terry Pratchett. O autor da série “Discworld”, diagnosticado com Alzheimer, que é um importante partidário da morte assistida. Por sua vez, o doutor Saunders não escondeu sua irritação com a BBC, acusando a emissora de se comportar como uma instigadora da legalização do suicídio assistido: “É deplorável que a morte de um homem seja mostrada na tela, mas, além disso, nós estamos preocupados porque este documentário não vai ser imparcial. É conhecida a postura de Sir Terry Pratchett. Então temos medo que ele mostre os supostos prós da morte assistida sem falar dos contras”. Segundo Saunders, há um desequilíbrio “extraordinário” a favor do suicídio assistido por parte da rede BBC. “Serão seis programas realizados em três anos por pessoas que apoiam uma mudança na lei (sobre o suicídio assistido) ou que são favoráveis a essa posição”, destacou. Palavras fortes também foram escritas por Amanda Platell no Daily Mail (16 de abril), definindo a BBC como “patologicamente liberal” e acusando-a de produzir “um documentário para o lobby pró-eutanásia, ofendendo muitíssimos britânicos que acreditam na sacralidade da vida”. Para Platell, “o próprio fato de Sir Terry ser o apresentador já é uma forma de chantagem moral”. 

Não é a primeira vez que uma rede britânica retransmite um documentário que exibe a morte de um doente de SLA que optou pela eutanásia. Em dezembro de 2008, a Sky Television estreou no canal Sky Real Lives o documentário “Right to Die: The Suicide Tourist” (Direito de morrer: o turista suicida), com a morte ao vivo de Craig Ewert, 59, numa “clínica” da associação Dignitas da Suíça. Qual é o impacto destas imagens ou destes documentários nos doentes terminais? E nas pessoas deprimidas ou idosas? São perguntas polêmicas. “Enfraquece os vulneráveis e o direito à vida das pessoas”, disse Phyllis Bowman. A mensagem inequívoca é que também existe uma vida não digna de ser vivida. Fonte: Zenit.org (Roma)

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